mudar?

Ando sonhando muito com meu pai. Nesta noite eu o abracei tanto, comemorei que ele tinha engordado e tudo foi muito real. Disse que ele tinha quase ido embora. Duro foi acordar e ver que não era quase..
Eu envelheci tanto neste último ano que devo estar com crédito para os próximos.
As preocupações são outras. Não que sejam menos fúteis, ou que eu tenha me transformado em uma pessoa dura e amarga. Mas mudei muito. E continuo mudando. Acho que o mais legal é permitir mudar.
Antes doía meu coração ouvir alguém dizer “ você que ir para praia? Mas você odeia praia!” ou algo como “nossa, mas num é muito colorido para você?” ou, pior, “ como assim você gosta de música pop?”... hoje dou risada... de onde as pessoas tiraram que só o outro não pode mudar?
Porque sim, quando a gente muda muita vezes nem percebe, mas e o outro? Parece que não temos muito direito de mudar de opinião. Quanta bobagem!
Quinta-feira nasceu minha sobrinha. Sobrinha torta, filha da minha prima irmã mais nova. Mas torta nada. Ana Clara me deixou nervosa, ansiosa e aliviada. E olha que acabou de chegar!
Patrícia, minha amiga-irmã há tantos anos, teve sua Thaina há quase 10 atrás... mas era diferente. Era ingênuo meu olhar sobre as duas. 10 anos atrás as coisas não iam mudar. Aquele serzinho não ia fazer tanta diferença na nossa vida social dos shows de rock e do manifesto. Ah quanta ingenuidade. As vezes eu a considero uma benção, as vezes agradeço por saber um pouco a mais. Saber um pouco a mais não quer dizer ser mais experta, sagaz, profunda, culta ou inteligente. Saber um pouco a mais quer dizer saber que tudo vai mudar... ou seja, não ter mais tanta certeza na vida. Saber mais é saber cada vez menos.
A Ana Clara me deixou assim por isso. Daqui para frente eu sei que a Marcelinha vai mudar. E vai descobrir um mundo novo de sentimentos e vivências, o que parece obvio, mas se olhar com mais calma, é perceber um mundo em branco a ser escrito por uma nova pessoa e você ser responsável por guiá-la é realmente muito mágico.
Eu, na prepotência de dizer aos quatro ventos que não tenho o menor interesse em ter filhos, reverencio quem entra nesta jornada. E me emociono. E faço bons pensamentos para que todos que mudarão ao seu redor aproveitem bem a transformação.
O melhor de tudo é que posso mudar de opinião. Quando EU quiser. E o melhor, eu posso não mudar de opinião, se eu não quiser.

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