a não vida
Tem dias que a gente finge que faz muitas coisas importantes para não fazer o inevitável. Como se atrasando o inevitável talvez ele suma. Desapareça. Como em um pesadelo que você fecha os olhos para fazer sumir o monstro. Pior que o monstro não some e com ele vem a culpa e, muitas vezes, a urgência. Dava para escrever um livro com as técnicas de fugir do inevitável. Técnicas ineficazes para o objetivo em si, mas que ficam escondidas em técnicas para as mais variadas desculpas.
Tem aquela manhã que sentar na cama e tentar lembrar do sonho parece fazer sentido, não fosse pelo fato de você ter a plena consciência que o relógio está girando. Ou ir tomar banho e resolver que é o dia de lavar os tubos de shampoo ou limpar a caixinha do sabonete, mesmo sabendo que o ônibus não vai te esperar. Tem dias que minha casa fica linda. Tem dias que eu lavo 3, 4 vezes a louça. Tem dias que eu fotografo minhas coisas e dias que alinho meus cds. Tem dias que tomo muitos banhos. Dias que faço lista de prioridades. Tem tantos dias....
Tem dias que isso parece que é fazer. Viver. Todo dia sei que isto é mentira. Viver é outra coisa.
Tem aquela manhã que sentar na cama e tentar lembrar do sonho parece fazer sentido, não fosse pelo fato de você ter a plena consciência que o relógio está girando. Ou ir tomar banho e resolver que é o dia de lavar os tubos de shampoo ou limpar a caixinha do sabonete, mesmo sabendo que o ônibus não vai te esperar. Tem dias que minha casa fica linda. Tem dias que eu lavo 3, 4 vezes a louça. Tem dias que eu fotografo minhas coisas e dias que alinho meus cds. Tem dias que tomo muitos banhos. Dias que faço lista de prioridades. Tem tantos dias....
Tem dias que isso parece que é fazer. Viver. Todo dia sei que isto é mentira. Viver é outra coisa.
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